domingo, 16 de setembro de 2018

trinta e oito elefantes de guerra

Janaina nunca soube quando os elefantes foram vistos pela primeira vez. O dia tinha começado com a taquicardia de um vento insistente na janela, ela acordou antes do despertador com seu horário aristocrático e depois escovou o dente com os dedos, assim como as mães fazem com as crianças  esquecidas. Estava ainda só de camiseta e uma xícara de café oblíqua na mão meio frouxa, o olhar no infinito, lendo azulejos sem ver seus desenhos singelos e repetidos. Quando saiu do prédio já era tarde, um charme seus atrasos traiçoeiros. Ela saia para terminar seu noivado, como um moça de outros tempos. 
Foi quando a cidade se alvoroçou e bramidos foram ouvidos. Todos olhavam na direção das criaturas, hipnotizadas pela beleza da imponência selvagem.
Aníbal chegava com seus trinta e oito elefantes de guerra, para defendê-la da besta-fera, mais conhecida como o fim de um grande amor.

Nenhum comentário: