quarta-feira, 29 de julho de 2009

duas mil horas

estou pisando e olhando com atenção, os pedaços dele estão por aqui, em algum lugar.
você não viu ? tenho certeza que está em algum lugar... levei duas mil horas para juntar todos os pedaços, mas ainda tem alguns espalhados e podem se perder. Não pretendo perder nenhum deles, assim, porque vai que numa dessas você muda de idéia e quer ele inteiro de novo. Não ligo de você ter deixado para lá e não querer mais. Eu daria de novo. Eu colo com superbond, sei lá. São vermelhos, você não viu, tem certeza ? Quando eu recuperá-lo e ele estiver bonito de novo eu pergunto se você por acaso não quer de novo. Uma vez você até se interessou, mas agora nem quer. Ele tá meio estranho, sem rumo, mas ainda é bonito. É vermelho, já disse, não é ?
Não tô achando todos, mas ficamos assim, ele ainda é seu. Você tem certeza que não está escondendo os últimos pedaços de mim ? Vai que numa dessas você quer se livrar do problema e está escondendo. No caso disso ser verdade, lembre, você está com pedaços de algo muito importante e que é seu. E isso não se faz. Não bastava tê-lo esmigalhado com os dentes ?

domingo, 26 de julho de 2009

lava

A palma da minha mão esquerda arde quando estou profundamente triste. É o termômetro da minha febre. Eu sinto uma linha sendo traçada a ferro e fogo e a tristeza tem para mim a dor de um cigarro sendo apagado na mão constantemente. E isso não é ficção, não é um texto em um blog, não são letras digitadas. Agora, vou tentar dormir com as suas cinzas no meu bolso.
você mal falou comigo essa noite.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Linda.

as bonecas gordas de bochechas rosadas estavam estraçalhadas. achei um desperdício quebrar o jogo de chá de porcelana. mas achei interessante roer tanto as unhas que sangraram infinitamente. ela parecia Linda possuída. que horror. fiquei com medo. mas minha tia estava aqui e dizia que não era nada. ainda era ela. mas não parecia. juro. caquinhos brancos espalhados pelo chão e os cabelos encaracolados suspensos enquanto giravam. eu queria olhar porque nunca tinha visto. mas olhar também machuca. e minha irmã nunca tinha pulado do décimo andar também. essa parte eu também nunca tinha visto.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Binóculo

Daria a você uns biscoitos e um copo de leite. Coloco o dedo no olho e coço. Estou envergonhada. Faço isso quando estou envergonhada. Você correu para o outro lado e eu nem tenho coragem de acompanhar. Daria a você um frisbi rasgando o céu. Amasso um papel de bala no bolso. Tenho gosto de balas cor-de-rosa na boca. mas antes de tudo tenho vergonha de olhar again. Daria a você um punhado de bolinhas de gude bem transparentes. Juro que se eu me mexer escorrego. Tique. Nervoso. Tem algo pressionando meu coração, sei lá. Uma mão. Um olho. Uma música. Um batom ? Daria a você uns poemas bem articulados. Estico meu pé vermelho de all star. Quase escorrego. Tenho fome e aquela coisa pressiona meu coração, não sei bem o que é. Pisco o olho e crio um fio de coragem. Olho e desolho de novo. Ai. Daria a você esse coração apertado.