quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Vãos entre o Edifício Babel.

Um vento forte aterroriza as minhas janelas. Não tem luz, já escurece, daqui do décimo andar vejo um leve branco nas nuvens afoitas. Há um sentimento escurecendo em mim também. Páro, não sei o que acontece, tenho a impressão de ter visto a mesma cena junto com a minha mãe. Olho de novo pela janela e seres humanos gigantes passeiam por entre os prédios, enquanto eu pergunto para uma amiga, sentadas no sofá - se conto o que se deve contar.

domingo, 23 de agosto de 2009

amores estranhos em Maui.

Silêncio, querida. Seus pés arrastam havaianas vermelhas, colares de flores me irritam e os passos hula-hula soam engraçados aos meus olhos. Tomei aquelas duas pílulas que você me deu e a dor não passa. Silêncio, querida. Já há algumas horas não quero mais saber de seus vestidos de veraneio. De seus olhos rasgados, de suas tentativas de chamar a atenção. Troque o que você me observa pelas ondas gigantes do mar. Desejo o melhor para você, que as ondas arrebentem nos seus pés, que as lavas dos vulcões em eterna erupção te engulam e você não dance mais. Suja de água salgada você sentirá melhor o meu sal, suja de fogo você sentirá melhor o que eu sinto. Vá para o mar agora, onde a lava empedra em silêncio absoluto. Silêncio, querida.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

YSL

O Seth deu agora para ferver os perfumes caros da mãe dele. Eu perguntei a finalidade de tal experiência química e ele me disse que tava 'capturando'. Hum-rum. Não entendi nada, mas achei válido. Um tempo depois eu me toquei, depois que o treco tinha encalacrado no chaleira e o cheiro espalhou pela casa. Achei que estava em Paris. Na loja de Monsieur Laurent.
Seth me olhou por um tempo com cara de cientista e disse :
"Sei no que você está pensando"
" Em quê ?"
" Em teletransporte."
" pois acertou de novo".

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

uma tarde ou um carinho qualquer

Ainda quando a vejo fico envergonhada. Quero me esconder atrás da porta e olhar pela fresta, mas ainda assim olhar.
Um pouco porque tenho vergonha de tudo e
outro pouco porque acho ela bonita demais.

Outro pouco porque ser sardenta me inibe.
E hj fazia sol e meus cabelos vermelhos aparecem.

tem outra tbm, não sei direito se ela quer.

minha habilidade em amar infinitamente, meus olhos pintados, minha vontade de ver três filmes sem parar.

mas, assim, se você quiser, te compro pantufas de coelho.

sábado, 1 de agosto de 2009

chill out

para ela lá.


Por ela, dormiria todo mundo empilhado, na sala. E ficaríamos acordados até começar a chover. Agora, por ela, toda esquina tem uma floricultura, com delivery 24 horas. Ficamos perto assim, de novo, meio que por acaso, teclando e fumando um cigarro. E ficar perto me deixa envergonhada e feliz. Por alguma razão que finjo desconhecer. Agora, vamos ver um filme e, por mim, ficaríamos assim. Olho no olho.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

duas mil horas

estou pisando e olhando com atenção, os pedaços dele estão por aqui, em algum lugar.
você não viu ? tenho certeza que está em algum lugar... levei duas mil horas para juntar todos os pedaços, mas ainda tem alguns espalhados e podem se perder. Não pretendo perder nenhum deles, assim, porque vai que numa dessas você muda de idéia e quer ele inteiro de novo. Não ligo de você ter deixado para lá e não querer mais. Eu daria de novo. Eu colo com superbond, sei lá. São vermelhos, você não viu, tem certeza ? Quando eu recuperá-lo e ele estiver bonito de novo eu pergunto se você por acaso não quer de novo. Uma vez você até se interessou, mas agora nem quer. Ele tá meio estranho, sem rumo, mas ainda é bonito. É vermelho, já disse, não é ?
Não tô achando todos, mas ficamos assim, ele ainda é seu. Você tem certeza que não está escondendo os últimos pedaços de mim ? Vai que numa dessas você quer se livrar do problema e está escondendo. No caso disso ser verdade, lembre, você está com pedaços de algo muito importante e que é seu. E isso não se faz. Não bastava tê-lo esmigalhado com os dentes ?

domingo, 26 de julho de 2009

lava

A palma da minha mão esquerda arde quando estou profundamente triste. É o termômetro da minha febre. Eu sinto uma linha sendo traçada a ferro e fogo e a tristeza tem para mim a dor de um cigarro sendo apagado na mão constantemente. E isso não é ficção, não é um texto em um blog, não são letras digitadas. Agora, vou tentar dormir com as suas cinzas no meu bolso.
você mal falou comigo essa noite.