O espaço era branco e frio, mas há aquele teto tão instigante como só o azul sabe ser - era o céu de todos. Os pés pisando fofo. De longe, eram pontos pretos no alvo. Essa claridade, essa sensação de solidão reprimida pelo toque ao lado... Um milhão de pés juntos ou algo como a sensação de um milhão. Sensação de um milhão no quadrado apertado. Só que no final, quando todos saem de casa, os pinguins invadem a geladeira. O sumiço dos quindins, dos pudins, do yogurte de morango, cai nas costas dos mais gordos da família. E a coleção dos pequenos bichinhos de porcelana cai na gargalhada.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
sexta-feira, 3 de abril de 2009
a quântica do mundo.
Uma xícara de chá, amanhecida, numa manhã de inverno.
A beleza volátil do amor.
Dois velhos implorando perdão.
Entrar em uma igreja com os pés quase limpos.
Voltar ao início cruel de meus pensamentos.
Lamber seu braço, sentir o sal.
Saber o mundo, igual.
O que eu sei, desigual.
A beleza volátil do amor.
Dois velhos implorando perdão.
Entrar em uma igreja com os pés quase limpos.
Voltar ao início cruel de meus pensamentos.
Lamber seu braço, sentir o sal.
Saber o mundo, igual.
O que eu sei, desigual.
domingo, 22 de março de 2009
Digitais
O prato de cookies invencíveis. Uma pessoa.
Ler que se tornou um não-hábito, seus livros invencíveis.
Um cinzeiro vazio e marcas de dedos na janela, um dia você também me deixou marcas, meu corpo de vidro estatelado. Os cigarros adormecidos em suas caixas moles. Minha boca mole. Meu pulmão cheio de ar. Nunca se sabe quando se quer não respirar. A lembrança dos dias em que o fôlego foi sugado por seus pulmões potentes. Seu coração potente de fumante filtro amarelo. As páginas amarelas. Michês despreocupados. Um, dois, três, quatro... Quantos eu ainda consigo ? Quantos homens ? Quantos cigarros ? Quantos dias ? Vou morrer de tanto respirar. Por favor, me leve e tape a minha boca, sem dó.
quarta-feira, 18 de março de 2009
"Amor Imaginário"
segunda-feira, 9 de março de 2009
calda escaldante.
me convide para o sorvete. aquele de calda escaldante. aquele daquele dia que você esqueceu e me deixou esperando. me convide para o seu recreio. o cachorro quente na esquina da sua casa. me convide para conhecer a gaiola onde te trancaram. e você esqueceu. esqueceu de você. me convide para te ver. e esquecer de mim. dentro do meu mundo pequeno e minhas tatuagens sem nexo. dentro do seu sexo. me convide para teu mundo pequeno. me convide para a mesa de chá. para o veneno de candykillerjuliet. me convide para andar na Paulista. me convide e segure na minha mão. me convide e me morda. me convide para entrar na frente do tiro que é para você. me convide para o chat onde tudo já foi dito. para olhar nos seus olhos noturnos. me convide para beber coca-cola. coca-cola no teu corpo. me convide para o espaço que ainda sobra em você. aquele que eu já tive. mesmo que não sirva. mesmo que você não ligue. me convide para estourar pipoca. para ver lesmas se arrastando. para olhar o céu cinza. me convide para o seu último dia. escolha o sabor do meu sorvete.
domingo, 1 de março de 2009
história de coelho
Um coelho sem os quatro pés. Uma menina tem seu álibi. Não será mais cruel, egoísta e idiota. Há muito tempo o coelho não quer mais caminhar. Uma menina com quatro pés de coelho amarrados no pulso.
Uma menina tem seu álibi. Não é egoísta, idiota e cruel. O coelho não tem mais pele. Uma menina de casaco branco e macio. Há muito tempo o coelho sente frio de qualquer jeito.
Há muito tempo o coelho está morto. Não será mais idiota, egoísta e cruel. Uma menina degusta carne tenra e saborosa. Uma menina tem seu álibi.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
flocos, café e diamantes.
para ela ( you know...)
O dia que te vejo é sempre escaldante. Sorvete de flocos derrete na minha frente, absorta em outra coisa. Seus olhos pingam um número alto de quilates. Os meus, embaçam. Dia lindo, Felicity. Adornado de pedrinhas de açúcar para o nosso café, olhos de diamantes e um sorvete esquecido. Você está na minha frente.
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