terça-feira, 20 de abril de 2010

" Já não se sonha mais com a flor azul "

Veja bem, eu andei uns cinco quilometros para comprar as ditas "flores azuis e pequenas como brincos" que você tanto disse que queria. Andei com rumo e ansiedade, calcado no momento de ver sua alegria. Andei como só andam os andarilhos atrás de um lugar que não existe. Não estou cobrando nada, pois aqueles infinitos quilometros me bastaram preenchendo minhas lacunas de melancolia. A euforia de um suposto amor. A euforia de um coração disparado de maratonista sem medalha. Trouxa. Quem em sã consciência corre sabendo que vai perder ? Só os apaixonados. Só os esperançosos. Os bobões. Voltando com flores azuis pequenas como brincos nas mãos cuidadosas, protegendo toda aquela fragilidade de um sol escaldante que queima sua têmpora suada, protegendo o improtegível. O amor renegado e azul, pequeno como brincos. Veja bem, não estou cobrando nada, mas pelo andar do relógio você não vem mais. Pelo meu ritmo cardíaco você não vem mais. Eu deveria jogá-las pela janela - seria o mais correto- mas há uma beleza infinita pairando sob meus pés com calos.

SAC - Amor

Caro cliente,

Esse item não faz parte do sortimento de 2010.
Por se tratar de um item antigo não temos disponível para venda.
Podemos enviar o catalogo de sentimentos que serão distribuídos ao longo desse ano, para isso precisamos do endereço completo para o envio.

Agradecemos a preferência.

sábado, 17 de abril de 2010

Dhaka Lovers

Em uma cidade sem céu, um vasto clamor espalha no chão. Seus cacos de diamantes, que você mantém por aparência, respingam um creme brilhante de insegurança. Em uma cidade sem estrelas, um vasto reino afunda seus versos em doenças incuráveis, em mares de luzes foscas que não darão conta de seus olhos enegrecidos. Seu maiores medos, mergulhados por preguiça, cospem orações que berram aos nossos habitantes - que já não se enganam mais. Em uma cidade sem ouvidos, moucos de amor...

segunda-feira, 29 de março de 2010

Colherada

- E gosto do que você está na boca ?
- Um doce.
Os desenhos se mexiam dentro da tigela de leite. Ele olhava bem firme o branco colorido. Achei que ele estava viajando, mas é só o Seth.
Depois ele levanta a colher escorrendo traços ou só leite mesmo e gira na minha direção,
- Põe a língua para fora e olha na colher!
- Hm ?
- Põe a língua para fora e olha no reflexo da colher.
Obedeci tonta e ele explicou :
- Eram desses desenhos que eu estava falando...
- Eu sou um desenho, por acaso, Seth ?
- E dos melhores.

E agora a colher reflete meu sorriso côncavo.

domingo, 28 de março de 2010

quando eu chegar em casa.

A minha louça estará lavada, querida. E não me retorne uma só palavra de carinho, não faça essa cara de mulherzinha. Quando eu chegar em casa, pindure o meu casaco e me traga somente você. Te darei assim, máquinas que lavam xícaras de café e cabides de amor.
Pois tudo que um homem pode oferecer a você, Luiza, são laços frágeis de medo.
Eu estou só disfarçando todos eles nessas ordens bobinhas que você vai esquecer no meu hálito de cigarro. Tão sincero.

domingo, 21 de março de 2010

13.

Eu bem que tentei me superar. Tomar o leite com bolachas enquanto via a sua liberdade passando bem na minha frente...
Não deixe uma criança sozinha!
A camiseta branca está toda suja, mas ninguém vê o branco sobre o branco. E nisso eu me safo.
Porém, olhe ali, ainda há migalhas pelo chão! Tenho que continuar superando e limpar eu mesma o que sobrou, antes que ela volte.

sábado, 13 de março de 2010

La belle de jour

para a esquiadora



note meu coração entre os seus dedos

(eu ficaria todas as tardes só olhando e você escrevendo...)

saiba sempre dos meus pés gelados e meus medos

mas o que torna tudo novo e derradeiro

( pois a felicidade do gosto de um brigadeiro)

lembra o meu olhar brilhante, de quando você veio