Três coccottes fumam charutos cubanos emprestados de George Sand, esfumaçam caras chocadas de damas apimentando-se, tomam seus cafés bem fortes em xícaras de porcelana chinesa, enquanto suas pernas escapam dos vestidos num murmúrio negro. Três coccottes riem em volta de uma mesa redonda, diante de três manuscritos abertos um jazz solta as tiras dos sapatos, outro assunto proibido vem à tona. Três coccottes sobem, pérolas rolarão as escadas.
sábado, 12 de setembro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
receita de coelho
Ei, me liga antes das sete, estou batendo o bolo. O rádio tá ligado e as nuvens desenham bichos de pelúcia bem brancos, feitos esse coelho que carrego nos braços todos os dias. Você nota ? Tenho os olhos iguaizinhos os dele, bem vermelhos. Não sei se é o chá de ervas ou o choro insistente antes do mar vermelho. Aliás, como é bem negro de tão vermelho, não é ? Como os olhos do coelho que carrego nos braços todos os dias, vermelho. No globo de verdades que vejo todos os dias, um líquido aminiótico rebenta a vida sangrenta. O bolo está no forno e o coelho sente o cheiro. Você vem, não é ? Tenho medo dele procriar feito coelho e a casa será deles. Alice, siga-me. O bolo está pronto e a cobertura ficou uma beleza. Me cubra, durma comigo, venha, é para você. Antes que alguém apareça e liquidifique o chão de um vermelho cego. Antes que alguém apareça e eu vá junto. E deixe um milhão de coelhos se lambuzando de bolo. E você sozinha segue quem não se deve seguir.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Vãos entre o Edifício Babel.
Um vento forte aterroriza as minhas janelas. Não tem luz, já escurece, daqui do décimo andar vejo um leve branco nas nuvens afoitas. Há um sentimento escurecendo em mim também. Páro, não sei o que acontece, tenho a impressão de ter visto a mesma cena junto com a minha mãe. Olho de novo pela janela e seres humanos gigantes passeiam por entre os prédios, enquanto eu pergunto para uma amiga, sentadas no sofá - se conto o que se deve contar.
domingo, 23 de agosto de 2009
amores estranhos em Maui.
Silêncio, querida. Seus pés arrastam havaianas vermelhas, colares de flores me irritam e os passos hula-hula soam engraçados aos meus olhos. Tomei aquelas duas pílulas que você me deu e a dor não passa. Silêncio, querida. Já há algumas horas não quero mais saber de seus vestidos de veraneio. De seus olhos rasgados, de suas tentativas de chamar a atenção. Troque o que você me observa pelas ondas gigantes do mar. Desejo o melhor para você, que as ondas arrebentem nos seus pés, que as lavas dos vulcões em eterna erupção te engulam e você não dance mais. Suja de água salgada você sentirá melhor o meu sal, suja de fogo você sentirá melhor o que eu sinto. Vá para o mar agora, onde a lava empedra em silêncio absoluto. Silêncio, querida.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
YSL
O Seth deu agora para ferver os perfumes caros da mãe dele. Eu perguntei a finalidade de tal experiência química e ele me disse que tava 'capturando'. Hum-rum. Não entendi nada, mas achei válido. Um tempo depois eu me toquei, depois que o treco tinha encalacrado no chaleira e o cheiro espalhou pela casa. Achei que estava em Paris. Na loja de Monsieur Laurent.
Seth me olhou por um tempo com cara de cientista e disse :
"Sei no que você está pensando"" Em quê ?"
" Em teletransporte."
" pois acertou de novo".
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
uma tarde ou um carinho qualquer
Ainda quando a vejo fico envergonhada. Quero me esconder atrás da porta e olhar pela fresta, mas ainda assim olhar.
Um pouco porque tenho vergonha de tudo e
outro pouco porque acho ela bonita demais.
Outro pouco porque ser sardenta me inibe.
E hj fazia sol e meus cabelos vermelhos aparecem.
tem outra tbm, não sei direito se ela quer.
minha habilidade em amar infinitamente, meus olhos pintados, minha vontade de ver três filmes sem parar.
mas, assim, se você quiser, te compro pantufas de coelho.
Um pouco porque tenho vergonha de tudo e
outro pouco porque acho ela bonita demais.
Outro pouco porque ser sardenta me inibe.
E hj fazia sol e meus cabelos vermelhos aparecem.
tem outra tbm, não sei direito se ela quer.
minha habilidade em amar infinitamente, meus olhos pintados, minha vontade de ver três filmes sem parar.
mas, assim, se você quiser, te compro pantufas de coelho.
sábado, 1 de agosto de 2009
chill out
para ela lá.
Por ela, dormiria todo mundo empilhado, na sala. E ficaríamos acordados até começar a chover. Agora, por ela, toda esquina tem uma floricultura, com delivery 24 horas. Ficamos perto assim, de novo, meio que por acaso, teclando e fumando um cigarro. E ficar perto me deixa envergonhada e feliz. Por alguma razão que finjo desconhecer. Agora, vamos ver um filme e, por mim, ficaríamos assim. Olho no olho.
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